{ANALYTCS}

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Abismo entre o Honesto e o Socialmente Correto



           Dizem que Albert Einstein é o autor da muito citada frase:

 "em vez de ser um homem de sucesso, 
procure ser um homem de valor."
  
Mas será que (se a disse) ele estava sendo irônico e nós, mortais de QI's pouco divinos,  não nos demos conta disso?


É que, segundo todo o contexto histórico, o físico era muito genial. Logo, perceberia o quão óbvio é que o único valor que realmente tem importado é aquele precedido de cifrão - e certamente assim já o era em sua época.
Salvo extrema predisposição à defesa da hipocrisia, não é difícil enxergar que quando se diz "gente boa", "pessoas importantes", "sujeito de alta categoria" etc., está-se a tratar de gente com algum dinheiro ou poder.
Nesse contexto, prostrar-se à mercê de "boas pessoas" é um meio de alcançar migalhas por aquelas dispensadas ao pé da mesa em que se posta o plebeu, sentado, sorridente, simpático e sempre disposto a puxar o tapete de outrem, mentir e fazer as coisas mais torpes possíveis; em busca de adquirir um pouco de importância ou aceitação naquele meio.
Efetivamente, seria excessivamente poético acreditar que - numa sociedade em que os indivíduos são queridos conforme pareçam ter algum dinheiro ou usurpar privilégios do Estado (por meios não raramente escusos) - seja inteligente cultivarem-se valores como companheirismo, fidelidade, honra e caráter em vez de investir-se em "boas amizades", que possa proporcionar alguma vantagem financeira ou social.
Contudo, embora ora se repudie essa vil realidade, ela é presente e seu inabalável rumo não depende do ideário do desimportante missivista que se dedica a divagações feito a presente.
A descrição de tal contexto, aliado à recorrente tormenta do impotente desalinhamento social, resume-se, de modo grosseiro e demasiadamente breve, no literalmente enlouquecedor dilema:
É realmente possível ser feliz perdendo coisas tão valorizadas para preservar o caráter (mesmo sabendo que ele jamais será reconhecido, pois serve de mero mimo a pessoas que de fato nada têm a ver com ele - desde que ofereçam outras vantagens a quem se disponha a bajular-lhes)?
Noutras palavras: se prejudicar os outros é o meio mais eficiente e usual de conseguir dinheiro e posição social e as pessoas verdadeiramente respeitadas - inclusive pelos próprios oprimidos - só são aquelas "bem-sucedidas", como ter certeza de que recusar vantagens para preservar a decência é a coisa certa a se fazer, já que todos à sua volta só enxergam virtudes em quem "se dá bem", independentemente dos meios usados?
É muito difícil sustentar que o resto do mundo está errado. É muito confuso ter que acreditar que possui qualidades que só o próprio indivíduo vê.
De uma terceira forma, indaga-se o mesmo: será que a vergonha de si mesmo por fazer coisas contrárias a seus princípios e prejudicar pessoas em troca de "boas relações" não doeria menos que a flagelação e o ostracismo decorrentes do amor ao próximo e zelo por aquilo que se acha justo?
Não se trata de retórica, senão mais uma inaudita tentativa de externalizar o pensamento e as razões do dia-a-dia de quem a cada hora adquire novos ferimentos por teimar batalhar numa guerra perdida.

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